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Fonte: Revista MICRO SISTEMAS No. 75
páginas 28, 29 e 30 ( Dezembro de 1987 )
Se o seu sonho é utilizar disquetes
como memória de massa do seu microcomputador da linha TK90X/TK95 então
conheça a interface C.A.S., fabricada pela Cheyenne Advanced Systems,
que esta sendo lançada pela Taco Software.

Muitas pessoas se surpreendem ao saber
que na Europa os microcomputadores da linha ZX Spectrum são utilizados
profissionalmente em escritórios, empresas e estabelecimentos de
ensino, formando inclusive redes locais. Esta surpresa decorrente
principalmente do fato de que no Brasil os micros TK90X e TK95, únicos
compatíveis com o ZX Spectrum inglês, acabaram se caracterizando como
videogames com teclado, devido à ausência de um periférico essencial
para uma utilização mais séria: o drive.
Mas agora essa deficiência se tornou
coisa do passado. A empresa paulista Taco Software está lançando uma
interface capaz de tornar realidade o sonho de muitos usuários: a
C.A.S. Disk Interface, fabricada pela Cheyenne Advanced Systems
(lembra da MULTIFACE 1?). Com esta interface, números da ordem do
Megabyte deixam de ser uma utopia, fazendo do seu pequeno TK90X/95,
uma poderosa ferramenta para qualquer aplicação.
A INTERFACE C.A.S.
A C.A.S. Disk Interface é um modulo em
plástico preto com as dimensões de 2,5 cm de altura x 14,5 de largura
x 9,5 de profundidade. Ela deve ser encaixada no conector de expansão
do micro e o cabo de alimentação do transformador passa a ser
encaixado na lateral esquerda da interface.
Com relação ao circuito, a interface
obedece ao padrão Beta Disk, o mais utilizado na Europa, superando até
mesmo o padrão lançado pela tradicional empresa Kempston. E já
que estamos falando de padrão, a primeira boa surpresa é que com a
interface conectada, seu equipamento deixa de ser um TK e se
torna um verdadeiro ZX Spectrum, uma vez
que ela possui uma EPROM gravada com a ROM do original inglês.
Consultamos o fabricante com relato à
presença desse “chaveamento” de ROM e recebemos como resposta a
explicação de que devido às alterações efetuadas pelo fabricante
nacional, o micro não teria condições de funcionar com uma interface
de disco no padrão Beta.
Nesse caso havia apenas dois caminhos a
tomar: ou se adaptava o DOS da interface, prejudicando o seu
rendimento, ou então fazia-se este “chaveamento” para acabar com o
problema de incompatibilidade. Graças ao bom-senso e à consciência do
fabricante, hoje o usuário pode contar com um micro melhor do que o
que possuía, ao invés de “meia” interface de drive.
Características Técnicas
A interface C.A.S. pode acessar até
quatro drives de 40 ou 80 trilhas, face simples ou dupla. Na
configuração usual (um único drive de 40 trilhas com face dupla), a
quantidade disponível de memória para armazenamento de dados é de 316
Kb. Na configuração máxima (quatro drives de 80 trilhas com face
dupla), a memória disponível alcança 4 x 636 Kbytes, isto é, 2,4
megabytes, número suficiente para matar de inveja os usuários de
muitas outras linhas de microcomputadores.
O drive a ser utilizado é o mesmo que se
usa no IBM-PC, MSX ou TRS-80, facilmente encontrado no mercado
nacional. O único drive não compatível com o sistema é o que se
utilize na linha Apple.
O DOS é residente, não havendo
necessidade de carregá-lo a partir de disquete como é usual em
microcomputadores. No momento em que o micro é ligado já estamos
operando no DOS.
Características do DOS
O DOS possui comandos totalmente
compatíveis com a sintaxe do micro, não havendo necessidade de
recorrer a comando estranhos e de difícil memorização. Os comandos são
os contidos no teclado do ZX Spectrum: ERASE, para apagar
arquivos em disco; LOAD, para efetuar a carga de arquivos;
MERGE, para combinar programas contidos em arquivos ou discos
diferentes; MOVE, para realocar espaço no disco; COPY,
para copiar arquivos disco a disco; NEW, para efetuar a troca
do nome de um dado arquivo; RUN, para carregar e executar um
programa em disco; SAVE, para gravar os programas; CAT,
para exibir o diretório do disco; e PEEK / POKE, para leitura /
gravação de um dado setor.

Pode-se ir do DOS para o BASIC através
do comando RETURN e voltar ao DOS através do comando RAND
USR 15360. Quando se está no DOS, o cursor normal do micro (K) a
substituído pelo cursor “A>”, “B>”, “C>”, ou “D>”, dependendo do
número de drives ligados ao sistema. Além disso, é possível acessar o
DOS a partir de um programa BASIC.

A sintaxe dos comandos é praticamente a
mesma de quando utilizamos uma configuração com fita cassete.
Exemplos: SAVE “exemplo” CODE 16384, 6912 gravaria o conteúdo
do arquivo de imagem tanto em fita quanto am disco. A diferença a que
no segundo caso o comando deva ser dado a partir do DOS, e não do
BASIC.
Os únicos comandos que modem
inicialmente causar alguma confusão são NEW, PEEK e
POKE. A sintaxe do NEW é: NEW “nome novo”, “nome antigo”.
Após o nome antigo poderá ainda ser acrescida a extensão CODE,
caso arquivo se refira a um programa em linguagem de máquina, ou
DATA no caso de arquivo de dados. Quanto a PEEK e POKE,
embora atuem de forma um tanto similar à do BASIC Sinclair, sua
sintaxe é um tanto diferente. Exemplo: PEEK “agenda'' 3000,1 lê
o primeiro setor do arquivo agenda e transfere o seu conteúdo para a
RAM a partir do endereço 30000. Já o comando POKE “agenda” 30000,1
transfere para o primeiro setor do arquivo agenda todo um setor de
dados contidos na memória, iniciando no endereço 30000.
Como se pode notar, a função executada é
análoga à do BASIC, sendo que aqui estamos falando em setores de
arquivos, e não em posições de memória.
Durante nossa análise testamos todos os
comandos do CAS DOS sem que houvesse surgido qualquer dificuldade com
relação à sintaxe e utilização de cada um deles. Todos os comandos se
mostraram bastante poderosos, sendo o comando ERASE a única
exceção à regia. Ele é um tanto desprovido de inteligência, uma vez
que apaga o arquivo sem realocar o espaço do arquivo deletado para uso
posterior, isto é, se você deleta um arquivo de 48 Kb, a área que ele
ocupava não ficará imediatamente à disposição do usuário. Para que ela
posse ser liberada, é necessário que se use o comando MOVE.
Outra falha é com relação à sobreposição
de arquivos com o mesmo nome, operação não permitida pelo DOS. Mas
estas foram às únicas falhas encontradas. Além de facilmente
contornáveis, elas não chegam a comprometer a performance da C.A.S.
Disk Interface e são amplamente compensadas pelo chamado “botão
mágico'' que fica na parte traseira do modulo, cuja função é, nada
mais nada menos, a de copiar no disco tudo o que estiver contido na
memória. Basta um toque nesse botão para transferir para o disquete a
quase totalidade dos programas da sua coleção.
Além de tudo, o usuário poderá contar
com um botão de RESET no lado esquerdo da interface e com a conexão
traseira, que permitirá a ligação de outros periféricos como interface
de impressora e a MULTIFACE 1, produto já analisado por esta seção.
O acabamento do produto é impecável,
sobressaindo de imediato a qualidade dos conectores empregados e do
manual de utilização, que contém todas as informações necessárias para
fazer um uso completo da interface. Acompanha também um disquete onde
vem gravados dois programas utilitários: FILER e TAPECOPY.
O FILER contém várias expansões para os comandos do CAS DOS e o
TAPECOPY permite a transcrição direta de fita para disco.
Conclusão
A C.A.S. Disk Interface é realmente um
produto indispensável para usuários mais ambiciosos que possam dispor
de recursos para a compra de uma unidade de drive. O CAS DOS é
bastante prático e fácil de utilizar, justificando inclusive a
existência de um clube em São Paulo, formado apenas pelos usuários do
CAS DOS (ver Seção de Cartas da edição no. 74 de MS).
Já está se tornando rotina parabenizar a
Cheyenne Advanced Systems. Esperamos que ela continue assim. Com
relação ao distribuidor Taco Software, que está fazendo uma promoção
especial para os primeiros 50 compradores, desejamos bastante sucesso
nas vendas do produto.
Análise realizada no CPD de MS por
Luiz F. Moraes.
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